Rondônia de Verdade
Quando se diz de uma terra que se banha nas águas dos Rios Guaporé e Madeira, receptores do Madre de Dios, Beni, Ji Paraná, e tantos outros que vertem de suas entranhas, para finalmente se derramarem no Amazonas, em busca do oceano, de onde vieram e por onde navegaram os destemidos portugueses em busca do Eldorado;
Quando se diz de um nobre denominado Don Antônio Tavares de Rolim de Moura, Conde Azambuja, que navegou pelo Estuário do Prata, Rio Paraguai, transpondo o divisor de águas em plena selva, e navegou pelo Rio Guaporé demarcando limites com os espanhóis e que, por ordem real, erigiu a cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade e os flancos do Forte Príncipe da Beira, a maior fortificação portuguesa;
Quando se diz de um marechal que, ombreado com seus bravos, construiu a Linha Telegráfica Cuiabá a Porto Velho, rasgando a floresta, em harmonia com os índios Parecis, Nambiquaras, Suiruís e Cinta Larga, e outras etnias, estabelecendo a comunicação entre os extremos do Brasil;
Quando se diz de uma Ferrovia que transplantou as cachoeiras e correntezas do Rio Madeira para consolidar a paz com a Bolívia;
Quando se diz de seringueiros e “Soldados da Borracha” que permearam a selva em busca do látex, o ouro branco da era industrial;
Quando se diz do maior assentamento agrário do Brasil e quiçá do mundo;
Quando se diz de uma leva de migrantes que dominaram a selva e implantaram novas culturas;
Quando se diz de um Estado brasileiro com potencialidade hídrica e mineral quase que inexplorada;
Quando se diz de um povo que cresce, se desenvolve e se orgulha de tanta beleza —
Diga-se Rondônia.
Quando nosso céu se faz moldura Para engalanar a natureza Nós, os bandeirantes de Rondônia Nos orgulhamos de tanta beleza
Como sentinelas avançadas Somos destemidos pioneiros Que destas paragens do poente Gritam com força: Somos brasileiros
Nesta fronteira de nossa Pátria Rondônia trabalha febrilmente Nas oficinas e nas escolas A orquestração empolga toda gente
Braços e mentes forjam cantando A apoteose deste rincão Que com orgulho exaltaremos Enquanto nos palpita o coração
Azul, nosso céu é sempre azul Que Deus o mantenha sem rival Cristalino muito puro E o conserve sempre assim
Aqui, toda vida se engalana De beleza tropical Nossos lagos, nossos rios Nossas matas, tudo enfim
Composição: Joaquim De Araújo Lima.
“Grato pela lembrança do nosso velho INCRA, pois, realmente, teve enorme importância nos anos 70 e 80 do século passado, na organização da estrutura fundiária e consequente desenho geopolítico hoje vigente em Rondônia, além de viabilizar o acesso a terra a milhões de migrantes oriundos de todas as regiões do país, principalmente nos grandes Projetos de Colonização (PIC’s e PAD’s), implantados a partir de 1970, mais as demais formas de acesso a terra, como a regularização fundiária realizada no mesmo período, licitação de terras públicas, etc.”
— José Lopes de Oliveira