Cadê o Toucinho? (ou Por Onde o Brasil Passou)

Brincadeira de roda e a história da política brasileira de Jânio a Lula.

Falarei de uma antiga brincadeira de roda:

“Cadê o toucinho daqui? — O gato comeu; Cadê o gato? — Foi pro mato. Cadê o mato? — O fogo queimou; Cadê o fogo? — A água apagou; Cadê a água? — O boi bebeu; Cadê o Boi? — Foi buscar milho. Cadê o Milho? — O padre levou. Cadê o padre? — Foi rezar missa. Então vou procurar… — Foi por aqui, foi por ali e por ali passou.”

Todos correm à busca de um esconderijo e o líder escolhido vai procurar. No caso, o padre é o grande vilão, que leva o que a pessoa tem de primário para a sobrevivência. Passa-se a vida procurando o vilão, mas o mesmo nunca é encontrado. Sabendo-se apenas que está cumprindo seu mister em um lugar qualquer.

Trazendo a brincadeira para a atualidade, o padre seria substituído pelo político. Não que sejam inúteis, mas sempre nos trazem a mensagem do progresso e do bem-estar enquanto o “toucinho” some. Cadê o dinheiro daqui? O político levou. Foi procurado e encontrado, porém a brincadeira não valeu porque o sujeito que se procurava não era aquele que foi encontrado.

O Carrossel de Presidentes

A brincadeira entrou em desuso, mas de uma coisa tenho certeza: sei que foi por ali, por aqui e por aqui passou.

Lembro de um presidente que renunciou seis meses após a posse (Jânio); de um plebiscito do sim e do não; e de um presidente deposto pelos militares, que governaram por mais de vinte anos. Tenho presente quem prometeu acabar com a corrupção e foi cassado por ser corrupto (Collor); de quem prometeu acabar com a inflação e de quem facilitou os grandes esquemas conhecidos como mensalão e petrolão.

Lembro de uma presidenta cassada, de um vice que assumiu e não renunciou. De um presidente que se elegeu no vácuo das oligarquias e não quis compartilhar as benesses. E de um presidente que foi preso, “descondenado” e eleito sabe-se lá como. Lembro de um Brasil que foi por ali, por aqui e o boi lambeu.

O Furdunço e a Aposentadoria

Recentemente, virou num “furdunço”. Muitas coisas aconteceram em nome do Estado Democrático de Direito, numa trapalhada que merece a atenção de historiadores isentos. Nomes ficarão na história com triste memória. E para coroar, o assalto aos aposentados e mais uma CPI que deu em nada pelo excesso de envolvidos — gente da “pica grossa”.

Na verdade, estou mais preocupado com a merreca da minha aposentadoria. Será que o gato comeu ou o padre levou? Por que sumiu? Dizem que o Lula está de olho nela, coisa que duvido; ele gosta de coisas mais polpudas. Mas foi por ali e por ali sumiu. Na verdade, o Lula não sabe de nada. Quem sabe é o Lulinha, a Janja e o Xandão, além de outros tantos impossíveis de nomear.

Foi por aqui, foi por ali e por ali passou…